5 cooperativas de plataforma que estão reinventando o trabalho digital

Artigo de Victor Barcellos

publicado em

3 de fevereiro de 2021

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A plataformização do trabalho parece ser uma tendência sem volta. Atualmente todo trabalho, em alguma etapa da cadeia de produção, passa por uma plataforma digital. Por plataformas, podemos entender de forma simples como as infraestruturas digitais que conectam diferentes atores. Contudo, no âmbito do trabalho, elas costumam ser regidas por um novo modelo de negócios cujas características são: relações flexíveis de trabalho, lucro com base na intermediação de produtos e serviços (e não mais na sua posse) e o uso de dispositivos móveis. 

E isso não é necessariamente ruim: por meio das plataformas, consumidores conseguem acesso às suas demandas com mais agilidade e menor custo, e profissionais podem oferecer seus produtos e serviços a um público mais amplo.  Porém, por conta de as principais plataformas serem geridas por corporações multinacionais, não se tem acesso ou meios de questionar as regras que comandam essa intermediação. Assim, em muitos casos o trabalho em plataformas digitais é sinônimo de precarização.

Mas e se, ao invés de oferecer seu trabalho a uma plataforma já existente, os trabalhadores criassem as suas próprias? Essa é a proposta do cooperativismo de plataforma, conceituado por Trebor Scholz, professor da The New School Scholz. O autor busca reinventar o tradicional modelo cooperativo de trabalho através de uma apropriação coletiva das plataformas digitais. Para tanto, propõe a criação de plataformas que sejam geridas pelos próprios trabalhadores, e não sejam intermediadas por grandes corporações. Dessa forma, os profissionais podem ter controle sobre o próprio processo de produção, baseando-se em decisões democráticas e realizando uma distribuição mais igualitária dos lucros.

Parece uma possibilidade muito distante? Pois elas já existem e estão se espalhando pelo mundo. Para ilustrar essa nova proposta, elencamos abaixo 5 cooperativas digitais de diversos setores:

 

1) Resonate 

Criado em 2015, o serviço de streaming  de música tem como objetivo devolver o poder aos artistas. Seus diferenciais estão principalmente na gestão democrática, onde os músicos participam das decisões da cooperativa; o uso de blockchain que garante maior transparência sobre os pagamentos e uma transferência de receita aos artistas proporcionalmente maior que a dos outros serviços de streaming. Por conseguinte, o modelo afirma conceder maior domínio aos trabalhadores da cultura sobre suas obras e os rendimentos provenientes delas. 

 

2) Fairbnb

A cooperativa se apresenta como uma alternativa às atuais plataformas de aluguel de residências. Seu propósito é oferecer um meio mais igualitário e sustentável para o compartilhamento de residências. Como isso é feito? Destinando 50% dos rendimentos para o financiamento de projetos locais das comunidades onde as residências se situam. Dessa maneira, contribuem para o desenvolvimento local e o comprometimento com a comunidade. 

 

3) Cataki 

É uma cooperativa brasileira criada com a intenção de aproximar geradores e catadores de resíduos, aumentando a reciclagem e a renda proveniente dela. Os catadores, mesmo responsáveis por 90% de tudo que é reciclado no Brasil, são trabalhadores de um setor sem regulação e sem reconhecimento social. Por serem trabalhadores autônomos, não possuem nenhuma garantia trabalhista, e por isso sobrevivem em situações precárias. Por meio da plataforma, empresas e catadores podem se conectar e combinar um valor justo para a coleta. Dessa forma, evitam a poluição resultante do descarte em locais inapropriados e contribuem para o aumento da dignidade de sua prática profissional. 

 

4) Stocksy

Um banco de imagens e vídeos gerido por artistas e movido pelo amor à arte. Seu diferencial para os artistas é um pagamento de 50 a 75% das licenças por suas contribuições, valor muito acima do transferido por outras plataformas. Por participarem das decisões da cooperativa, têm seu senso de comunidade e pertencimento reforçado. Para os clientes, a qualidade dos materiais é garantida pela seleção manual das imagens e vídeos que são disponibilizados na plataforma, possibilitando encontrar obras autênticas para suas necessidades. 

 

5) Mensakas

Alimentação e entrega saudáveis são o lema da cooperativa, que busca oferecer direitos trabalhistas aos entregadores e refeições melhores aos clientes. Para isso, atende apenas empresas comprometidas com o consumo responsável, formando redes de economia solidária. Totalmente gerida pelos próprios trabalhadores, garante a eles um contrato de trabalho com todos os devidos direitos. Por serem seus próprios chefes, não ficam mais à mercê de algoritmos para definir suas rotinas de trabalho. 

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