8 conteúdos para entender o impacto da tecnologia nas emoções

Artigo de Priscilla Silva

publicado em

23 de setembro de 2020

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A tecnologia pode gerar diversos impactos na vida dos indivíduos. Essas transformações se refletem em toda a dinâmica do mundo moderno e certamente deixarão um legado para o futuro, que seguirá em constante remodelação.

Seus impactos sociais podem ser positivos ou negativos: avanços da medicina, aumento de conforto, redução de estresse, otimização de tempo, são alguns pontos positivos frequentemente citados. Por outro lado, a potencial redução da interação social, vício em tecnologia, impacto no sono e ansiedade são cada vez mais detectados como pontos negativos.

Do ponto de vista psicológico, a interação desmedida com a tecnologia pode aumentar nosso fluxo de consumo, impulsionar a perda da capacidade de lidar com emoções e problemas do “mundo real”, especialmente quando os meios tecnológicos se tornam um refúgio.

A literatura e o cinema têm cada vez mais retratado os efeitos tecnológicos na vida humana, ora apresentando um futuro tranquilo, ora fazendo previsões sombrias e chegam a levantar debates psicológicos, sociológicos e filosóficos.

Selecionamos abaixo uma lista de algumas obras (dentre filmes, documentários e livros) sobre os efeitos da tecnologia na psique humana.

 

Filmes / documentários:

1) The Social Dilemma (Netflix, 2020)

A sinopse oficial deste documentário revela a pretensão de expor “as verdadeiras intenções das redes sociais”, de modo a alertar os telespectadores acerca de como são constantemente manipulados de forma inconsciente, tratando como os algoritmos contribuem para disseminar desinformação, teorias da conspiração virais, polarização política e problemas mentais. É claro que todas estas provocações também nos fazem refletir sobre o quão irônico é uma plataforma de streaming que faz uso de algoritmos abordar esse assunto. Este documentário foi recomendado por ninguém menos que Yuval Harari (autor dos best sellers “Sapiens”, “Homo Deus” e “21 Lições para o Século 21”), que escreveu em sua conta no Twitter: “Os humanos sempre foram melhores em inventar ferramentas do que em usá-las com sabedoria. Um novo filme lançado hoje levanta o alarme sobre como a tecnologia está sendo usada para manipular nossas mentes e a sociedade diariamente. Um must-watch para qualquer pessoa com idade suficiente para abrir uma conta de mídia social” (tradução livre). No mínimo, impactante!

2) Generation Like (PBS, 2014)

Por conta das mídias sociais, os adolescentes de hoje são capazes de interagir diretamente com sua cultura e possuem uma voz em potencial. Sem dúvida os adolescentes de hoje, em geral, são muito mais descolados, politizados, informados e por vezes até mais conscientes do que suas gerações antecessoras. No entanto, será que esse potencial todo é um empoderamento genuíno ou é nada mais além do que uma “liberdade” construída através do marketing, que dita as relações de consumo, desejos e opiniões de jovens que ainda estão construindo suas personalidades?

3) Persuaders (PBS, 2004)

Não tão recente, mas ainda assim atual, o documentário retrata a onipresença da publicidade na vida humana, nos permitindo ver os bastidores dos esquemas publicitários e posteriores análises psiquiátricas sobre suas manifestações no sentido de nos convencer a comprar coisas que não precisamos e revelando que a propaganda vai além da venda de um produto, tratando-se mais da venda de um estilo de vida.

4) Rede do ódio (Netflix, 2020)

A trama ficcional gira em torno das atitudes imorais e ilícitas de um jovem estagiário de uma agência de publicidade que visa danificar a reputação de pessoas públicas, culminando em uma onda de ódio online que tem graves consequências. Em tom um pouco exagerado, caracterizada pelo traços de sociopatia e narcisista do protagonista, e por vezes irônico, a narrativa relata os potenciais danos da rede, levantando questões sobre anonimato, manifestações democráticas e até vícios em jogos, fazendo-nos refletir sobre a energia do ódio e intolerância que reside na internet.

5) Ex Machina: Instinto Artificial (2014)

Obra de ficção científica clássica que trata da relação entre humanos e máquinas de inteligência artificial. O enredo parte da premissa do Teste de Turing, que testa a capacidade de uma máquina exibir comportamento análogo ao dos seres humanos. No enredo, o teste é caracterizado por uma conversa que é estabelecida entre o ser humano e uma máquina projetada. Se a máquina conseguir convencer que seu comportamento é bastante similar ao de um ser humano (ainda que sua aparência denuncie esta diferença), ou se este não conseguir perceber que está diante de uma máquina programada, diz-se que a máquina passou no teste. Isto é, que ela possui um pensamento autônomo, independente da programação que ela recebeu. A tensão da trama gera um misto de emoções, que oscilam entre desconfiança e empatia.

6) Her (2013)

É um poético retrato das relações contemporâneas. O filme escancara diversos paradoxos humanos: a solidão da hiperconectividade; a aparente ilusão das interações digitais, ao passo que seus impactos repercutem na vida física e, é claro, a liquidez das relações. Até que ponto se trata de uma representação da realidade ou do mundo real? A representação, uma vez sentida e experimentada, passa a ser realidade? Em segundo plano, o filme também aborda questões relacionadas à fetichização da tecnologia e os novos hábitos de consumo, vieses de gênero (como uso de vozes femininas para assistentes virtuais) e, sob uma visão mais jurídica, a extensão da autonomia para consentir sobre o uso de ferramentas tecnológicas.

 

Livros:

7) 1984 (George Orwell)

Distopia futurista amplamente discutida e analisada pelos entusiastas da tecnologia, não poderia deixar de ser citada. Obra trata de maneira profunda os impactos da tecnologia na construção de sociedade de controle (ou de vigilância) e sua confluência para instalação de regimes totalitários. A estrutura social, política e psicológica retratada são marcantes e profundamente atuais.

8) Máquinas como eu (Ian McEwan)

A trama se passa em um alternativo ano de 1982. A Inglaterra perdeu a Guerra das Malvinas, os Beatles ainda lançam discos, carro autônomos são amplamente utilizados e Alan Turing está vivo. Em uma sociedade interessante e complexa para a época, dilemas éticos dos avanços tecnológicos são levantados por meio da interação humana com a inteligência artificial autônoma.

autora

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