‘Influenciador’ virou profissão das mais desejadas

Leia a coluna da semana de Ronaldo Lemos para Folha de S.Paulo.

publicado em

30 de maio de 2023

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Ocupação tornou-se também uma ambição dos mais velhos

Em tempos de incerteza e precariedade, uma profissão desponta como das mais desejadas entre crianças, adolescentes e jovens adultos: a profissão de influenciador. Uma pesquisa realizada pela Fundação Lego perguntou em três países o que crianças de 8 a 12 anos gostariam de ser quando crescer.

Nos Estados Unidos e na Inglaterra, a profissão mais cobiçada foi de vlogger, influenciador que se comunica por meio de vídeo. Cerca de 30% das crianças nos dois países responderam que essa é sua ambição de futuro. Já no terceiro país pesquisado, a China, a resposta foi diferente: 58% das crianças chinesas responderam que seu maior desejo é ser astronauta. O rol de habilidades necessário para ser astronauta é abrangente, inclui domínio de física, química, matemática e ciências em geral.

Se considerarmos que o futuro se realiza primeiro na forma de sonho, como lembra o historiador Jules Michelet, as implicações desses sonhos distintos das crianças em cada país podem ter impacto tangível nos próximos anos.

Mais do que capturar o imaginário infantil, a profissão de influenciador tornou-se também uma ambição dos mais velhos. Uma pesquisa realizada pelo grupo Morning Star nos EUA com pessoas de 13 a 38 anos, tanto millennials como membros da Geração Z, mostrou resultados similares: 54% dos integrantes desse grupo afirmam que gostariam de seguir por esse caminho se tiverem a oportunidade. Já no Brasil, pesquisa feita pela empresa de publicidade INFLR afirma que 75% dos jovens no país querem ser influenciadores.

As razões daqueles que optam pela profissão de influenciador variam de acordo com o grupo etário. Para os membros da Geração Z, a principal razão para a escolha é “poder fazer diferença no mundo”. Enquanto para os millennials as principais motivações são “horários flexíveis” e “dinheiro”.

No entanto, mesmo essas razões podem ser ilusórias. O desejo de se tornar influenciador em geral é inspirado por aqueles que chegaram ao sucesso dessa forma. No entanto, o funil para o topo é estreito, um número ínfimo dos que tentam consegue a estabilidade de viver do próprio conteúdo. Mesmo aqueles que chegam lá buscam diversificar suas atividades, justamente para não depender da instabilidade e da competição brutal que está na essência da profissão de influenciador.

Para a maioria absoluta dos que tentam esse caminho, a realidade é basicamente o contrário do que os millennials almejam ao tentar a profissão. O trabalho é incessante e o resultado é, na maior parte dos casos, pouco ou nenhum dinheiro. O trabalho de influenciador pode ser privilegiado comparativamente, mas apresenta em boa parte dos casos as mesmas características de precariedade da “gig economy”.

Tudo isso sem falar na questão da saúde mental. A busca permanente por “engajamento”, ou ainda, as mudanças que as próprias plataformas fazem periodicamente nos seus algoritmos, criam um ambiente de incerteza constante. Pesquisa realizada pelo grupo norueguês Inspire.me feita com 350 influenciadores globais mostrou que 47% alegam que a carreira impactou sua saúde mental.

No Brasil, mesmo no topo, há influenciadores como Felipe Neto e Whinderson Nunes que falam abertamente sobre o tema, inclusive com relação a seus desafios pessoais. Em suma, pouco do que reluz no mundo de hoje é ouro. O que por fora atrai pode ser armadilha.


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