IPO do ano, Roblox tem raízes no Brasil

Coluna semanal de Ronaldo Lemos publicada na Folha de São Paulo

publicado em

23 de março de 2021

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O IPO de 2021 pertence a um game sobre o qual os leitores da Folha provavelmente nunca ouviram falar: o “Roblox”. Mas não se desespere. É só perguntar para filhos, sobrinhos ou crianças na faixa dos 5 aos 14 anos e eles provavelmente serão capazes de explicar tudo em detalhes.

O “Roblox” é jogado hoje por mais de 160 milhões de pessoas. Metade das crianças dos Estados Unidos joga, e alguns milhões de crianças brasileiras também. A estimativa de faturamento atual da empresa é de US$ 1,5 bilhão, e seu valor de mercado é de US$ 42 bilhões, acima de pesos pesados como a Electronic Arts ou a Ubisoft.

Mas como é o jogo? E o que o Brasil tem a ver com ele? Nos seus elementos básicos, o jogo se passa em um ambiente com gráficos toscos formados por blocos (por isso o nome “Roblox”). Nesse espaço, é possível conversar, trocar objetos, interagir, colaborar e competir com outros jogadores.

A característica que tornou o “Roblox” um dos games mais importantes do planeta é que seus jogos são criados pelos próprios jogadores. A empresa, a Roblox Corp, criou uma ferramenta chamada Roblox Studio, que permite aos usuários criar os próprios games.

O resultado é que dentro da plataforma há jogos infinitos. Desde games originais, como o “Adopt Me”, em que os jogadores têm de cuidar de animaizinhos de estimação, até cópias descaradas de outros games, como “Among Us” e outros sucessos do momento, que são recriados dentro da plataforma. Com isso o “Roblox” fez uma jogada brilhante: terceirizou o desenvolvimento de jogos para os próprios usuários.

A empresa paga aproximadamente US$ 250 milhões por ano para esses criadores de games (a maioria crianças e adolescentes). Eles recebem na medida em que os gamers vão comprando a moeda virtual do “Roblox” dentro dos games criados por eles (chamada de Robux) —70% do valor fica com a empresa, e 30%, para o criador do game.

O Brasil tem tudo a ver com o sucesso do “Roblox”. Ele e o Roblox Studio —razão do seu sucesso— foram desenvolvidos com uma linguagem de programação brasileira, chamada Lua. Ela foi criada em 1993, na PUC do Rio de Janeiro, para ser usada em um projeto da Petrobras. No entanto, sua eficiência e facilidade de uso fizeram dela um sucesso global. “Roblox” é o exemplo mais recente disso.

Os criadores da linguagem, Luiz Henrique de Figueiredo, Waldemar Celes e Roberto Ierusalimschy, licenciaram-na em modelo aberto, permitindo que qualquer pessoa a utilize livremente. Deram, assim, um presente para o mundo e deveriam ser reconhecidos universalmente no Brasil (e no mundo) por essa façanha.

Outra conexão com o Brasil é que a empresa conta com um diretor brasileiro, Rodrigo Velloso, que é responsável pela área de marketing de influenciadores.

Se eu pudesse fazer uma humilde sugestão, seria incrível se a Roblox Corp fizesse uma doação para o instituto Tecgraf, da PUC-Rio, onde a Lua foi criada. Seria uma pequena retribuição ao trabalho desses brasileiros incríveis que permitiram o sucesso de tantos projetos globais, como o “Roblox”.

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Já era Ser pago só em dinheiro

Já é Ser pago em criptomoedas

Já vem Ser pago em Robux (e outras moedas de games)

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