Meu desejo para 2020 é muito 5G

Coluna semanal de Ronaldo Lemos na Folha de São Paulo

publicado em

30 de dezembro de 2019

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Esse desejo provavelmente não vai acontecer; vamos ficar para trás

Dentre as muitas coisas para desejar em 2020, uma delas é que o Brasil tenha uma rede de 5G instalada o mais rápido possível. 

Esse desejo provavelmente não vai acontecer. A Anatel (e um conjunto de outros atores governamentais e privados) está trabalhando arduamente para segurar ao máximo a chegada do 5G ao Brasil, por razões essencialmente políticas. É um erro histórico, que pode levar o país a um atraso irrecuperável, mais uma vez.

O 5G muda tudo o que sabemos sobre como nos conectamos à internet. Primeiro porque a velocidade é altíssima, no patamar de 10 gigabits por segundo. Um filme de duas horas em alta resolução pode ser baixado em cerca de 40 segundos. 

Mais importante que isso, o 5G praticamente elimina o tempo em que uma mensagem precisa para sair do emissor e chegar ao receptor. É como se as comunicações se tornassem instantâneas. Além disso, consome menos energia e aumenta a duração das baterias de celular. 

Quando completamente implementado, a ideia de um celular sem conexão deixa de existir. É como se a internet ficasse “embutida” no aparelho, o tempo todo.

Por que é importante que o Brasil tenha 5G o mais rápido possível? A razão é simples. Quem tem a tecnologia antes também inicia o processo de desenvolvimento de aplicações antes. Em outras palavras, empresas e desenvolvedores brasileiros encontram um mar aberto para criar serviços globais inovadores que só se tornam possível com o 5G. 

Trocando em miúdos, é uma oportunidade única para o Brasil se tornar um produtor de tecnologia, e não apenas um gigantesco consumidor, como hoje. De outra forma, ficamos condenados a comprar aplicações que serão desenvolvidas em mercados que entraram nessa corrida antes da gente.

Quais são as aplicações que podem ser desenvolvidas com o 5G? Uma delas é uma completa reestruturação do transporte público (e posteriormente do transporte privado). Com o 5G, é possível criar um sistema em que veículos andam como cardumes de peixes, sincronizados e em alta velocidade.

Imagine um corredor de ônibus no estilo BRT em que os veículos estão coordenados uns com os outros e trafegam em alta velocidade com distâncias mínimas de centímetros. O 5G torna isso possível. Isso já é viável hoje. O que é diferente da ideia de “carros autônomos”, que vai levar ainda décadas.

Mais do que isso, vai ser possível implementar a chamada indústria 4.0, automatizando linhas de produção e criando mecanismos de monitorar fábricas a distância, prevendo falhas em equipamentos e produtos antes que elas aconteçam. É um novo modelo industrial que deslancha a competitividade e que pode pagar boa parte da conta da implementação do 5G.

E a questão da cibersegurança? Esse tema é fundamental. E deve ser resolvido com a implementação de padrões muito bem definidos pelo Brasil com relação às suas redes. Esses padrões devem ser aplicados a toda e qualquer empresa que queira vender equipamento ao país.

No cenário atual, é possível que o Brasil só comece a implementar suas redes de 5G em 2021 e talvez até em 2022. É tarde demais. Como desejar não custa nada, ficam aqui meus melhores votos para um ano de 2020 cheio de luz e de conectividade para todos.

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