Tendências de tecnologia para 2021

Coluna semanal de Ronaldo Lemos na Folha de São Paulo

publicado em

5 de janeiro de 2021

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O bitcoin voltou a ser assunto de almoços de família ; é bom ter cautela

O ano novo começa com choques na área de tecnologia. A começar pela questão da cibersegurança.

Fica cada vez mais claro que o ataque virtual sofrido pelos Estados Unidos é de proporções gigantescas e será um dos desafios centrais do governo Biden. Vários sistemas governamentais foram comprometidos. A própria Microsoft revelou que os hackers tiveram acesso a parte dos códigos-fonte dos seus programas (segredo tão protegido quanto a fórmula da Coca-Cola).

Os Estados Unidos vão precisar investir pesado para renovar suas principais redes e até lá terão de conviver com uma crise permanente de confiança. O caso é lição para outros países. Além da pandemia, vão ter de conter a viralização dos ataques digitais.

Outro choque é a subida de valor do bitcoin e de outras criptomoedas. O bitcoin abriu 2020 custando US$ 7.000. No primeiro dia de 2021, seu valor era de US$ 29 mil por unidade.

Vários fatores explicam essa ascensão. Um deles são investidores institucionais comprando estoques da moeda e empresas como PayPal se abrindo para as criptomoedas. Outra é uma questão técnica. A oferta de bitcoins é desenhada para diminuir ao longo do tempo.

Outra explicação é a volta dos investidores desavisados que desde o colapso de 2018 e 2019 haviam fugido das criptomoedas. O bitcoin voltou a ser assunto de almoços de família e das festas de fim de ano. É bom ter cautela.

No Brasil, o Banco Central tem grupo de estudos ativo sobre a questão das criptomoedas. O presidente da instituição disse, em entrevista para a Bloomberg, em setembro, que criptomoedas emitidas por bancos centrais (CBDC – Central Bank Digital Currency) são tendência. Um dos avaliados pelo grupo é a possível criação de uma stablecoin brasileira, que por design é programada para espelhar digitalmente o valor do real.

Na Alemanha, por exemplo, um dos bancos mais antigos do país, o BVDH, lançou sua stablecoin em 2020 atrelada ao euro.

Outra questão para nosso país é a implantação do 5G. Este será o ano-chave para isso.

Haverá também o desafio da aplicação da Lei Geral de Proteção de Dados. Em agosto, as punições da lei passam a ser aplicáveis. Nesse campo, deve ganhar força também a discussão sobre uma legislação de proteção de dados específica para o setor da segurança pública.

Uma novidade pessoal é que o Instituto de Tecnologia e Sociedade (ITS) fez parceria com a organização RadicalxChange (RxC) para realizar estudos sobre o uso de voto quadrático no Brasil.

A RxC foi fundada a partir do livro “Radical Markets”, de Eric Posner e Glen Weyl (que morou no Brasil), propondo um novo modelo de decisão coletiva batizado de “voto quadrático”. Esse modelo pode ser mais representativo e possibilitar a reorganização de vários tipos de instituições e possivelmente da própria democracia.

Um pequeno experimento que o ITS está propondo é usar o modelo para decidir a ordem de votação de Casas Legislativas no Brasil, como Câmaras de Vereadores e Assembleias Legislativas. É um pequeno passo, mas com potencial transformador enorme.

Dentre todos os problemas com os quais teremos de lidar em 2021, tédio não será um deles.

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