A cidade e o restaurante do futuro

Por Fabro Steibel

publicado em

23 de janeiro de 2020

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Você já pensou em sair para jantar e deixar gorjeta para um robô, ou pedir comida pela internet para (literalmente) imprimir em casa? Essas são inovações que chegam lentamente até nós, mas que já nos deixam pensando sobre o futuro da cidade em que viveremos. 

Veja, por exemplo, o caso do robô que entrega pratos. O maquinário, desenvolvido na China, é imbatível em termos de eficiência: o robô Pudu entrega até duas vezes mais pratos que um garçom treinado, e o investimento se paga em menos de um ano. A inovação por enquanto tem nota zero em simpatia, mas substitui trabalhos justo na área de serviços, que emprega quase metade da força de trabalho na China.

Já no caso da impressora de comidas, o uso ganha força em restaurantes hospitalares. Ali, o desafio é ser criativo para fazer o paciente mais saudável. Com nutrientes impressos em formatos atrativos, colhe-se resultados, por exemplo, com crianças em tratamentos longos. Outros usos da impressora incluem a reinvenção do fast food, das sobras de comidas e até dos canudos, que se tornam comestíveis.

O impacto no mercado de trabalho já começa a ser sentido. Na China, restaurantes são uma fonte de subsistência de universitários para pagar estudos. Com a competição dos robôs que servem mesa, é capaz de diminuir (por tabela) a quantidade de cientistas que programem robôs.

Se quiser enxergar para o hoje, basta olhar o que os aplicativos de comida estão fazendo com as cidades. Ao multiplicar os restaurantes sem mesa, florescem os entregadores de pedal.  Como no aplicativo o que vale é a reputação, chefs montam empreendimentos sem gastar com lojas caras. Surgem cozinhas conceituadas inclusive dentro das favelas, tanto que projetos como o duLocal estimulam o surgimento de redes de marmiteiras, capazes de atender aos mais caros paladares.

 De quebra, os aplicativos ainda lotam as ciclovias, infraestrutura que mais que dobrou nas capitais só nos últimos quatro anos. Os entregadores de pedal não só substituem os motoboys, como conectam microempresas a novos clientes nos bairros. Menos espaços ociosos, mais negócios.

 Como a tecnologia move-se rápido, ainda temos poucos estudos para quantificar o impacto que está vindo por aí. Mas já temos algumas pistas. Nascem novas modalidades de contrato de trabalho, novos nichos de empreendimento e novos desafios. Nem tudo é bom, mas por certo nem tudo é ruim. Basta olhar os restaurantes para entender isso. Resta saber o que devemos nos antever para se preparar para o que vem por aí. Investir em ciclovias, agora se sabe, foi uma ideia transformadora. Mas o próximo passo, qual será?

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