Algoritmos, esses vilões da criatividade na internet

Por Fabro Steibel

publicado em

24 de junho de 2019

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Existe um choramingo crescente entre os produtores de conteúdo na internet. Julio Cocielo, PC Siqueira, Danielle Noce são alguns dos canais que reclamam que a audiência online de hoje não é mais como antigamente. O choro vale para as grandes plataformas, como YouTube e Facebook, e até para as de nicho, como Twitch e Tik Tok. A impressão é de que chegamos ao teto da audiência na internet. Crescer, agora, só por milagre.

Mas, considerando que o número de usuários da rede só sobe, e que o tempo conectado no Brasil só cresce, para onde esses nova audiência está indo, então? Uma explicação é que estamos na fase de trocar seis por meia dúzia. Programas que hoje são sucesso na internet estão envelhecendo, como tudo na economia criativa. Alguns vão ser repaginados, como aconteceu com o da Xuxa, outros vão ficar datados, como as inesquecíveis novelas Selva de Pedra, Roque Santeiro e Pantanal.

Mas imaginar que os grandes canais da internet estão caindo em desuso é uma besteira. Nunca se produziu tanto ouro na rede. A regra agora é sair da internet e ganhar o mundo. KondZilla virou um gigante do mercado de música, Whindersson Nunes domina o humorismo e Felipe Neto controla uma indústria de entretenimento.

Até a televisão – aquela que ia desaparecer com a chegada da internet – não para de crescer ao se combinar com o universo online. Apresentadores de jornal postam stories no Instagram, reality shows têm episódios exclusivos para quem tem celular, novelas incentivam participação por hashtag e por aí vai.

Se a internet está tão em alta, como pode a audiência dos grandes canais ter estagnado? A resposta é um inesperado vilão da criatividade: o algoritmo.

O algoritmo é a fórmula que plataformas têm para conectar o que você vai ver, com o que querem te mostrar. É essa fórmula lógica que consegue aproximar produtores e consumidores de conteúdo na internet. No passado, o algoritmo era mais previsível, e gerava um efeito Tostines. Quem tinha melhor conteúdo conseguia mais audiência, e quem tinha mais audiência entendia como produzir melhor conteúdo. Era o paraíso dos grandes canais da internet.

Com o tempo contudo o algoritmo foi se distanciando de todo o mundo. Hoje, para receber conteúdo de quem você é fã, é preciso clicar no sininho, se inscrever, dar três pulinhos e rezar para dar certo. Do outro lado, para quem gasta dinheiro produzindo conteúdo, a impressão é que cada vídeo lançado é uma nova batalha, como se a base de fãs criada servisse para nada.

Assim nasce um inesperado vilão da criatividade na internet. Produtores temem o algoritmo, que não permite que produções caras cheguem sempre aos fãs da internet; usuários acham estranho que seus ídolos produzam pouca coisa entre o que aparece por aí, e todos perdem. Logo, existe um aliado da televisão que a internet precisa copiar. É o hábito de sentar no sofá e assistir ao conteúdo que se quer ver.

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