Kai-fu Lee e inteligência artificial

Coluna semanal do Ronaldo Lemos publicada na Folha de São Paulo.

publicado em

7 de janeiro de 2020

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No fim de 2019 o Brasil recebeu a visita da Kai-Fu Lee, um dos maiores nomes do planeta em inteligência artificial. Lee nasceu em Taiwan e mora em Pequim.

Trabalhou em várias empresas de tecnologia do Vale do Silício até retornar à China, onde coordena um dos principais fundos de investimento no setor. É autor do livro “AI Superpowers”, que discute a importância crescente da inteligência artificial para os países, levando em consideração a relação entre a China e os EUA.

O livro foi lançado no Brasil pela Globo Livros, que também trouxe Lee para o país. Tive a oportunidade de fazer uma conversa pública com ele em São Paulo.

A mensagem de Lee é muito valiosa para um país como o Brasil. Seu ponto é simples: a inteligência artificial vai ser uma ferramenta competitiva para todos os setores da economia, da indústria à agricultura, além dos serviços.

Adicionar ferramentas de inteligência artificial passa a ser tarefa de qualquer empreendimento ou governo que queira se manter eficiente e competitivo.

Por “inteligência artificial” Lee entende algo muito específico: a capacidade de máquinas processarem grandes quantidades de dados para resolver problemas específicos.

Usando dados uma empresa pode prever quando um consumidor fará uma próxima compra ou quando uma máquina industrial vai dar defeito. Uma escola pode prever se um estudante vai repetir de ano ou deixar de estudar, muito antes disso acontecer.

São questões poderosas, mas específicas. Lee gosta de enfatizar que a ideia de uma inteligência artificial geral, que torne máquinas “inteligentes” é mera especulação da ficção científica.

A ideia de que máquinas vão se tornar inteligentes como humanos ou que haverá algo como uma “singularidade” são meras distrações especulativas. A inteligência artificial é uma ferramenta para resolver problemas práticos. Não devemos esperar muito além disso, o que já é muita coisa.

Outro ponto de Lee é a ascensão da China nesse setor. Em sua apresentação ele gosta de mostrar que a China está chegando perto dos EUA em muitos aspectos e superando os EUA em outros. Por exemplo, em estudos acadêmicos de primeira linha sobre IA.

Além disso, em áreas como visão computacional, as empresas chinesas estão produzindo mais aplicações práticas.

Um exemplo é o pagamento por reconhecimento facial. Está se tornando comum na China o “smile to pay”. Em vez de levar o celular ou o cartão de crédito, o consumidor apenas sorri para uma câmera, que então autoriza o débito direto da sua conta.

Ou ainda, lojas que dispensam totalmente a presença de um caixa para pagamentos. O consumidor pega o que quiser e simplesmente sai da loja com as compras já debitadas. Tudo é reconhecido por meio de câmeras que identificam o consumidor pegou.

Nesse contexto em que EUA e China despontam como superpotências em IA, qual o papel de países periféricos como o Brasil? Seremos consumidores dessas tecnologias e meros fornecedores dos dados que as alimentam? Algo parecido com as relações históricas em que enviamos matéria-prima (neste caso, dados) e consumimos os produtos industrializados (neste caso, ferramentas de inteligência artificial)?

Enfrentar essas perguntas é um dos principais desafios da nova década.

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Já era: pagar só com cartão de crédito

Já é: pagar com o celular por meio de um código QR

Já vem: “smile to pay”, pagar com o próprio rosto, sorrindo para um sensor de reconhecimento facial

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