Chegou a era do fim dos likes

Por Fabro Steibel

publicado em

9 de maio de 2019

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O famoso ato de “dar um like” está com os dias contados, e isso é um bom sinal. As redes sociais como conhecemos estão mudando, e os efeitos das mudanças sobre nossas vidas, sobre como nos informamos e o que consumimos pode ser avassalador.

Nos primórdios das redes sociais o botão de like era uma benção. O ato de curtir permitia a qualquer plataforma entender de forma algorítmica o que as pessoas gostavam, ao mesmo tempo em que o botão gostar permitia a nós, os produtores de conteúdo, criar um termômetro de nossa popularidade na Internet.

Passaram os anos e, hoje em dia, a visão que temos do botão de like é outra. Recentemente o CEO do Twitter, Jack Dorsey, declarou que se pudesse nunca teria adotado o botão de curtir, e Mark Zuckerberg declarou que as novas versões de Facebook e Instagram devem esconder a contagem de likes de você.

Mas o que há de errado com o ato de dar um like? Era difícil imaginar lá atrás, mas hoje sabemos que a cultura do like pode gerar efeitos perversos. Sabermos, através de pesquisa, que conteúdos extremistas tendem a receber mais likes que conteúdos amenos. Eis aí uma janela de oportunidade para notícias com exagero, desinformação ou mentira, e um obstáculo para o bom jornalista que mostra com parcimônia os dois lados do problema.

Sabemos ainda que o like pode valer dinheiro. Conhecemos hoje as indústrias de clicks e perfis falsos, que cobram para adulterar as redes sociais de forma a fazer conteúdos de terceiros serem mais populares do que realmente são. E como esquecer dos impactos do like em grupos vulneráveis, como os que sofrem de crise de ansiedade ou concentram-se demais no que o outro vai gostar (inclusive, levante a mão quem publicaria a foto de um momento feliz, no qual você se achou feinho na pose).

O like não vai desaparecer, mas ele tende a ganhar temperos mais humanos. O Instagram por exemplo pretende esconder a contagem de likes e dar destaque às curtidas de quem você conhece e se relaciona. O Facebook quer incentivar você a postar em grupos menores, tirando da sua tela conteúdos com mais curtidas de sabe-se-lá-quem. E o Twitter vai diminuir (ainda mais) o valor dos likes para descobrir os temas mais comentados do momento, os trending topics.

Estamos entrando em uma era em que algoritmos colocarão menos ênfase no que é relevante só para você, e mais peso no que é relevante para seus grupos de pessoas. De certa forma, as plataformas vão valorizar mais as comunidades – redes de pessoas – e menos os conteúdos – dos indivíduos. Pelo menos essa é a promessa. Será uma virada lenta e não livre de desafios. Afinal, o exagero disso é vivermos em bolhas e sermos menos expostos ao contraditório.

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