Superapps: é o ecossistema, estúpido!

Coluna semanal do Ronaldo Lemos publicada na Folha de São Paulo.

publicado em

19 de dezembro de 2019

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Uma das tendências para 2020 foi inventada na China. Trata-se dos superapps, os superaplicativos que permitem que empresas criem produtos e serviços dentro de um aplicativo já consolidado.

O modelo lembra o filme “A Origem” (“Inception”, 2010). Nele, os personagens sonham dentro de um sonho que estava dentro de outro sonho. Nos superapps é assim. Todo celular tem uma loja de aplicativos. E agora os próprios aplicativos vão ter suas lojas de apps também.

Os primeiros superapps foram chineses, como o WeChat, o AliPay e a Meituan. O primeiro surgiu como aplicativo de mensagens. Depois incorporou a possibilidade de fazer pagamentos. Hoje é possível pedir um táxi, paquerar, usar rede social, pedir comida, fazer compras ou entregas, tudo sem sair do WeChat. É como se a internet tivesse migrado para dentro dele.

A lição que pode ser aprendida é que a competição agora não é mais por quem faz o aplicativo, mas sim por quem cria o ecossistema mais abrangente e atraente. A regra agora é: ou você está criando seu próprio ecossistema ou a sua empresa estará dentro de um ecossistema criado por alguém.

No mercado brasileiro, o primeiro aplicativo a se posicionar como superapp é o colombiano Rappi. Ele surgiu como um serviço de entrega. Agora inclui patinetes e em breve serviços financeiros.

Sobre isso, é curioso ver que os bancos no Brasil deixaram passar a oportunidade de se tornar superapps, como fez o AliPay. Para isso, a receita teria sido abrir suas plataformas e dados para que desenvolvedores externos pudessem desenvolver serviços dentro de suas plataformas. Não aconteceu. Ao contrário, a maioria dos bancos resistiu o quanto pode a esse tipo de abertura.

Foi preciso o Banco Central iniciar um processo de abertura de dados (“open banking”) de cima para baixo. Em outras palavras, poderiam ter criado um ecossistema a partir do seu alcance em pagamentos. E agora correm o risco de precisarem se integrar ao ecossistema de outros.

Os superapps são novidade, mas a forma é antiga. Vale lembrar que o próprio Facebook cresceu abrindo sua plataforma para desenvolvedores externos.

Muitos vão se lembrar da empresa Zynga, que fazia jogos dentro do Facebook como “FarmVille” e “Mafia Wars”. Esses games foram por muito tempo responsáveis por uma boa parte da receita da empresa, antes que ele estruturasse sua plataforma de publicidade. Abrir o Facebook para terceiros foi o que fez que a plataforma adquirisse ainda mais usuários.

Considerando que um dos objetivos do Brasil deveria ser se tornar um grande produtor de tecnologia e inovação —e não apenas um grande consumidor como agora—, competir por ecossistemas passa a ser tarefa de interesse nacional. Nessa competição, como o Rappi demonstra, já estamos perdendo para a Colômbia.

Do ponto de vista geopolítico, o Brasil é um dos países mais fechados do mundo. É curioso ver que essa mesma característica se reproduz na forma como pensamos aplicações na internet. Para crescer globalmente, em ambos os casos, é preciso se abrir.

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