Virar empresa de inteligência artificial – Ronaldo Lemos na Folha de São Paulo

publicado em

8 de janeiro de 2019

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Em 2019, todas as organizações começarão a sentir na pele a difícil pressão para se tornar empresas de inteligência artificial. Quem não fizer isso poderá contar com que seu concorrente cedo ou tarde irá fazer. E, quando isso acontecer, já era, melhor tocar um tango argentino.

Para se tornar uma empresa de inteligência artificial, é preciso passar por uma transformação profunda. Ainda mais porque no Brasil poucas organizações podem ser consideradas como empresas de internet.

Um shopping center que cria um site para vender seus produtos online não se converteu em uma “empresa de internet”. As empresas de internet precisam alavancar todo o potencial da rede nos seus negócios. Utilizam testes de preferência o tempo todo, analisam dados dos consumidores, trabalham com ciclos de produção curtos, tomam decisões na ponta, com engenheiros e desenvolvedores de produto, e não apenas com o presidente-executivo, e assim por diante.

A questão é que agora nem isso é mais suficiente. É preciso dar um novo salto para se tornar empresas de inteligência artificial. E, para isso, não basta implementar só algumas características dessa nova tecnologia. É preciso partir para um modelo completamente novo.

Primeiro é preciso colocar em curso uma estratégia permanente de aquisição de dados. Além disso, lançar apenas produtos que permitam capturar feedback dos dados sobre seu consumo e uso.

Os dados em si precisam gerar recursos para a empresa, não só os produtos finais. Mais que isso, é fundamental unificar todas as bases de dados em um único lugar. Empresas que gerenciam 30 bases diferentes (cada uma supervisionada por um departamento distinto) não serão capazes de se tornar empresas de inteligência artificial.

Além disso, é preciso automatizar o máximo possível de processos. O que puder ser feito automaticamente deve ser feito.

Por fim, é preciso redefinir completamente as funções de cada funcionário. Todos, sem exceção, precisam trabalhar em torno de dados. Funções tradicionais, como designers, desenvolvedores de produtos ou vendedores, têm de se concentrar em resolver problemas derivados da análise de dados.

Como dá para ver, o negócio precisa girar em torno da inteligência artificial, e não o contrário.

Vale notar que esse é um desafio não só para organizações privadas mas também para o próprio governo. Sobre isso, do ponto de vista tecnológico, o governo brasileiro ainda se organiza como se estivéssemos em 1996. É como se não existissem serviços de nuvem, big data, inteligência artificial, internet das coisas e assim por diante.

Mas como dar esse salto de modelo, seja no governo seja no setor privado? A melhor dica é criar um departamento único especializado em inteligência artificial que trabalhe de forma matricial com todas as divisões das organizações. O caminho equivocado seria querer adotar um pouco de inteligência artificial em cada divisão organizacional, de forma isolada.

Um dos maiores desafios para trabalhar com esse novo paradigma é atrair talentos. Para isso, é preciso colocar todo o mundo junto, assessorando outras áreas, e não dispersar talentos em diversas posições diferentes.

Tudo isso leva tempo. Razão adicional para começar a agir desde agora.

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